Currículo Online – Talita Matos

Entrevistas

Durante a minha vida profissional fiz muitas entrevistas e participei de algumas coleticas. Leia abaixo alguns desses trabalhos na íntegra:

*Entrevista exclusiva com o cantor Jorge Vercillo

Ele, que é carioca e flamenguista, por um tempo achou que seria jogador de futebol, mas o seu gol de placa foi na música. Cantor e compositor, Jorge Vercillo já lançou oito CDs e dois DVDs. Apresentou os seus sucessos para todo o Brasil e algumas de suas canções já foram tema de novelas Globais.

Atualmente, Vercillo está com repertório e show novo. Em novembro de 2007, ele lançou o álbum Todos Nós Somos Um, o qual conta com letras autobiográficas e faixas que já se consagraram entre os amantes da Música Popular Brasileira como Ela Une Todas as Coisas, Devaneio e a faixa-título.

Também nesse último trabalho, o cantor abrange ritmos como samba, xote, balada e rock e conta com participações de Fátima Guedes, Marcos Valle, Guinga, Paulo César Feital, entre outros.

Por que o título “Todos Nós Somos Um”?
Jorge Vercillo: “Todos Nós Somos Um” é uma frase que diz muito pra mim. Ela passa e vai além de religião. Eu acho que é uma frase filosófica, que todos nós estamos ligados mesmo, porque quando você começa a reparar isso na vida, que todos nós temos uma ligação, não existe uma situação que você esteja apartado de qualquer situação boa ou ruim, você simplica naquele momento e se responsabiliza por aquilo ou ajuda.Enfim, é a importância de você tratar bem as outras pessoas. Certa vez eu estava num show, viajando pelo nordeste, e vi uma menina de 20 e poucos anos falar pra mim assim – Eu queria te pedir, você que tem acesso a música, que as pessoas sejam mais sensíveis uma com as outras, que elas sejam mais tolerantes, afinal de contas pra onde a gente vai? Olha o meio ambiente com que ta! – Eu achei aquilo tão simples, mas tão bonito e profundo. Isso me tocou muito e dei esse recado no show falando dessa menina que tinha feito esse pedido. E esse título vem da inspiração de alguns livros. Então, “Todos Nós Somos Um” é uma música que faz parte falando de humanidade.

Quais são as suas influências literárias para montar o seu repertório?
Jorge Vercillo: Não tem alguma coisa fixa assim e definida, né? Eu gosto muito de ficção científica, mas não só em livros como também em filme. Eu acho que a ficção científica promove uma criação e uma inventabilidade sobre essa realidade que a gente ta e ela traz sempre novidades. Eu acho que o ser humano está aqui para criar a sua realidade. Tem um livro que fala muito bem desta questão, dessa nossa condição de criadores, que chama-se “Conversando com Deus”. É um livro que não passa por religião, muito pelo contrário, é um livro filosófico, mas muito legal e me somou muito nesse título “Todos Nós Somos Um”.

Conte-nos um pouco sobre a sua inspiração para escrever a canção Tudo Que Eu tenho.
Jorge Vercillo: “Tudo Que Eu Tenho”é um samba auto-biográfico, que conta minha história na praia do Leme, no Rio de Janeiro, depois da escola com os amigos na areia. Depois essa praia virou elemento de contemplação de metáfora, quando eu faço a alusão ao Abaeté, que é um lugar muito citado pelos baianos Caetano, Dorival, enfim… E conto um pouco da minha jornada, quando eu falo durante a letra que eu rodava a noite tocando nos bares, ia para o Canecão ver o show dos meus ídolos, então cita vários ídolos: Chico Buarque (o Chico), Nilton Nascimento, que fala na maneira dele cantar que insinua os contornos dos morros de Minas, Gil, Djavan e Gal. É um samba legal que praticamente abre o meu show como se fosse um standart de abertura, um abre alas.

Com tantas misturas rítmicas, como você classificaria o seu no álbum?
Jorge Vercillo: É o meu álbum mais brasileiro e mais jazzístico também.  Tem uma proximidade muito forte com o jazz e a prova disso é a música “Devaneio”, que está tocando por ai, e tem muito a ver com essa sonoridade stand jazz e com o jazz também. Mas ao mesmo tempo é um disco que não abandona ou violenta o que eu já vinha fazendo, que é essa fusão da MPB mais tradicional com a MPB contemporânea e o pop. Eu gosto muito de brincar com isso. Esse disco foi uma virada de ciclo, de eu acreditar que tem gente que gosta das loucuras que eu faço (risos), mesmo as mais pessoais, mais fora de um padrão de letra, porque nem sempre precisa ser uma letra romântica. Nesse disco tem muita música falando de vida e de momentos íntimos.

Como foi feita a escolha dos músicos que participaram desse novo CD?
Jorge Vercillo: Esse CD veio com um pessoal novo. Músicos maravilhosos como Ricardo Silveira, Jessé Sadoc, que está na minha banda e no meu show, aliás eu troquei a minha banda. Eu vinha há mais de 10 anos com uma banda de músicos maravilhosos como Jeca, Alexandre Cavalo, Cristiano Galvão, Sérgio Galvão, mas chegou um momento que eu precisava mudar, trocar a minha sonoridade, e isso está bem explícito nos shows, que tem sido muito prazerosos de fazer com essa banda. Tem um violinista fazendo essa parte de orquestra, afinal de contas o disco tem muito arranjo de corda. Então, eu estou muito contente com essa nova fase. Houve uma mudança legal e saudável. Está todo mundo curtindo show, a gente em cima do palco está tocando e curtindo o show ao mesmo tempo e se curtindo.

Como surgiu a idéia de misturar os arranjos de cordas com berimbau na música “Camafeu Guerreiro”?
Jorge Vercillo: Ah! Interessante isso. Na minha carreira sempre teve fusões de misturar samba com drum’n bass, como no “Tudo Que Eu Tenho”, e fazer outras misturas. Mas na música “Camafeu Guerreiro”, que é em parceria com um grande poeta Paulo Feital, que tinha um “quê” de berimbau nela e fala de dois capoeiristas baianos famosos. Tinha a ver com o berimbau por causa da capoeira, mas também pedia um arranjo de cordas, daí pedi que o Dori Caymmi fizesse um arranjo de cordas, mas ele tava viajando e não podia fazer. Mas, o Gilson Peranzzetta fez um arranjo lindo de cordas. Essa música é um destaque no show, porque no final dela eu conclamo todos os músicos a se levantarem ali do palco, cada um se levanta do seu instrumento, vem todo mundo pra frente e eu faço um desafio que cada um tem que cantar uma canção. Chamo toda a banda para uma roda de capoeira, então o pessoal começa a bater palma no ritmo da capoeira, um começa a tocar berimbau e o outro pandeiro e cada um tem que ir no microfone e cantar o trechinho de uma canção. Isso ficou muito bacana e o público vem junto cantando. O show tem várias surpresas.

O repertório da roda de músicos durante o show é fixo ou pode mudar?
Jorge Vercillo: É, acho que ficou marcada uma música para cada um sim. Tem as que agradam mais, prenderam mais as pessoas e tem mais a ver com o contexto. Mas, tem sido interessante, bonito e ao mesmo tempo engraçado. Tem momentos que a gente se diverte e isso é legal, traz uma leveza para o show. O show tem momentos intimistas como quando eu canto “Fênix”e “Devaneio”e tal, mas tem momentos mais descontraídos como este.

Por que a faixa “Vôo Cego” é considerada uma canção tipicamente vercilliana?
Jorge Vercillo: Talvez por causa da batida e da levada do violão, que é muito característica minha, até dançante, mas em uma levada três por quatro, um compasso composto que o músico costuma perceber isso. O ouvinte não passa tanto por isso, porque ele curte mais e sente sem entrar nesses detalhes. Mas é uma levada bem característica minha que eu já tinha usado em outras músicas e ela melodicamente tem muito a ver com a minha assinatura. A nível de letra, ela me traduz inteiramente, é uma letra filosófica e levanta algumas questões que para mim são importantes – Por que só na pele se vê o que se faz? Como só as guerras nos fazem ver a paz? Por que só na fome, na dor, na solidão? Onde todos os homens descobrem-se irmãos?

*Entrevista coletiva com Seal

Há dezesseis anos sem se apresentar no Brasil, o cantor e compositor Seal fará pela primeira vez um show só dele para os fãs brasileiros. Em entrevista coletiva realizada no dia 25 de março, no HSBC Brasil, em São Paulo, ele deu grandes detalhes sobre o seu novo álbum, intitulado System, descreveu a sua ansiedade para os próximos shows e contou o seu trajeto no mundo artístico.
Com cinco apresentações marcadas, sendo duas em São Paulo (26 e 27/03) e as demais no Rio de Janeiro (29/03), em Curitiba (1º de abril) e Porto Alegre (03/04), o cantor diz que o Brasil é um país dançante e que gosta muito daqui, afinal está no sangue, pois ele é neto de um brasileiro ‘Acho que não vou conseguir aproveitar muito a viagem, mas a turnê será incrível. Gosto muito do Brasil e da música brasileira’, comenta.

‘A língua brasileira é legal. É difícil ouvir uma música romântica em alemão, por exemplo, e achar bonita. Particularmente, mesmo não entendendo [a língua portuguesa], eu gosto muito da melodia, da música’, diz o cantor, que é fã de clássicos da MPB, como Dorival Caymmi e Gilberto Gil.
A última performance do cantor britânico no Brasil foi em 1992 na terceira edição do festival Hollywood Rock. Seal confessa estar empolgado, mas também muito nervoso. ‘Quase me arrependo de ter demorado tanto. Estou ansioso’, frisa e acrescenta ‘Da outra vez foi diferente, pois a minha atitude mudou e [a apresentação] fazia parte de um festival, as atenções não eram todas voltadas para mim. Agora, as atenções são todas para mim e em um lugar fechado.’

Em seu quinto trabalho, Seal considera não ter rótulos musicais, principalmente nessa nova fase, que é ‘um retorno às suas origens’. Afinal, o britânico gosta de artistas de muitos estilos diferentes como Stevie Wonder, Led Zeppelin e, em especial, ritmos setentistas da dance music. ‘No meu carro tem um rádio que eu escolho o que quero ouvir dos anos 70, porque é a época das melhores músicas. Comparando a dance music dos anos 70 com a atual, vejo que falta muito. Porque quando a música é boa tem o emotional impact.’

Com um gosto eclético, ele acredita que as influências não podem criar um formato para o seu estilo ‘Isso não forma como vou tocar, mas ajuda na voz, na forma de ver a música, de interpretar e no progresso. O importante foi quando achei a minha voz e me foquei como se fosse um diamante bruto sendo lapidado’, explica.

No auge dos seus 45 anos, casado com a modelo alemã Heidi Klum, apresentadora do reality show Project Runaway, e pai de três filhos, o cantor que já não sai para as abadalações noturnas, como no início da carreira, convidou Stuart Price, responsável por Confessions on a Dance Floor, de Madonna, para produzir System. A escolha não foi à toa, pois o cantor precisava de alguém que estivesse ainda no mundo das baladas ‘Foi uma das minhas melhores experiências. Foi difícil escolher o tipo de música que eu ia fazer. Quando decidi que ia fazer música dançante foi como uma peça de quebra-cabeça. (…) Eu ainda sei escrever e cantar, então procurei quem vivia aquela cultura, que foi o Stuart Price’, afirma.

Dono dos hits Crazy, Kiss From A Rose e Walk On By, Seal diz que a dance music não pode ter muitos acordes e nem ser muito sofisticado, mas tem que ser impactante e dançante, características que o CD System se sobressai de todos de sua carreira, segundo ele.

*Entrevista coletiva com o cantor Leonardo

Completando 10 anos de carreira solo e às vésperas de lançar a turnê Coração Bandido, o cantor Leonardo interrompeu as suas férias para gravar o seu segundo disco pela Universal Music, no Estúdio Mosh, em São Paulo, que contou com a produção de Cesar Augusto e que estará nas lojas de todo Brasil a partir do dia 8 de abril.

A estréia do novo show está marcado para os dias 4 e 5 de abril, no Credicard Hall, em São Paulo, onde o cantor pretende levar aos fãs uma mega estrutura. A direção é de Rodrigo Carelli (responsável pelos “Acústicos MTV” de Cássia Eller e Roberto Carlos), cenário de Zé Carratu e iluminação do inglês Dany Nolan “Esse show vai ser no Credicard Hall, que tem um espaço pra você fazer o que quiser. Estamos montando um mega show com muita iluminação, bailarinos, tem balé e tudo. Todo mundo colocando as pernas pra cima”, explica entre risos.

No palco, o repertório do novo álbum inclui o primeiro single, Coração Bandido, e mais seis novas canções, que o cantor considera muito. “Eles [pessoas da gravadora] querem que eu cante sete músicas novas, mas eu acho muito. Quando vou a um show, quero ouvir músicas que eu ouvi no álbum e na rádio”, afirma.

Mas, para felicidade dos fãs e do cantor, os sucessos como Entre Tapas e Beijos, Pense em Mim, Latinha Na Mão, Mexe Mexe e Doida Demais estarão presentes no set list. Segundo a assessoria do sertanejo, esse show promete muitas surpresas como a presença dos clássicos Desculpe Mas Eu Vou Chorar e Não Aprendi Dizer Adeus.

O título do novo álbum foi escolhido por Leonardo, que considera um nome bonito e acredita que todos têm um coração bandido “Cada um de nós tem um pouquinho de bandido, porque [o coração] nunca é de um só. Não adianta falar que meu coração não é bandido, porque é sim. Mas, a própria letra fala que não vale a pena trocar um amor por uma paixão”, disse.

Além de voltar às suas raízes nesse CD, o cantor faz uma homenagem, da capa às faixas, ao seu irmão Leandro, que faleceu há 10 anos “Eu nunca usei chapéu, tanto que meu apelido era Foguinho. Estou de chapéu na capa e fiquei quase igual a ele [Leandro]. Foi uma “homenagem” à morte do meu irmão” explica e acrescenta “São 10 anos sem meu irmão, 10 anos de carreira solo, 11 milhões de disco que vendi sem meu irmão. Mas, não fui eu, o cantor Leonardo que vendeu. Acredito que o meu irmão ainda me acompanha, tem aquela força. E o povo acreditou e acredita muito no nosso trabalho, por causa da dupla Leandro & Leonardo.”

Ele, que é de Goiás e cresceu na zona rural, se considera um caipira romântico com gosto apurado às músicas sertanejas, às baladas românticas e às lembranças de momentos com seu irmão “Mas, todo mundo confunde caipira com bobo e bobo eu não sou!”, frisa.

Leonardo, um grande admirador da música de raiz, ficou receoso em lançar esse trabalho, por causa do “boom” do sertanejo universitário e ele explica “Eu me cobro muito, ainda mais, depois que identificaram essa música universitária, fiquei meio perdido, preocupado. Será que as pessoas não querem mais ouvir o violino? Mas, resolvi ficar na minha. Resolvi fazer igual o Roberto Carlos, porque ele não mudou e todo mundo gosta, – não sou rei – mas resolvi fazer igual.”

Previsto para meados de agosto, ele pretende gravar um DVD em homenagem aos 10 anos da morte de Leandro, com músicas que marcaram a sua carreira, convidando alguns amigos e cantores que participaram dessa trajetória “Eu estou pensando, já temos muita coisa em andamento, mas não é nada concreto”, afirma.

Para ouvir algumas entrevistas, basta clicar nas manchetes abaixo:

* A dupla André & Adriano fala sobre o novo CD e primeiro DVD

* MC Leozinho conta como foi montar seu novo repertório

*Entrevista exclusiva com Cláudio Zoli

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